Auto-entrevista 4

homemvitruviano

Já lá vão dois anos desde a última vez que fiz uma auto-entrevista. Tento em vista o meu atual estado de espírito, que prioriza o autoconhecimento, a autorreforma como superação das próprias fraquezas espirituais, psicológicas e intelectuais, e a busca do verdadeiro senso do real, retorno ao exercício da auto-entrevista, desta vez focada nestas metas.

1) O que mudou no Fábio de 2014 para o de 2016?

R- Leituras, vivências e reflexões fizeram-me reexaminar algumas posturas e pontos de vista. Percebi que minha vida andava num ritmo muito abixo do que eu desejava e que tudo acontecia de forma demasiado lenta e difícil. Entendi tammbém que boa parte disso era devida a atitudes minhas, tanto mentais como práticas. Como mudar os outros ou as conjunturas impessoais são extremamente difíceis, quando não impossíveis, resolvi que preciso, antes de tudo mudar a mim mesmo. Entendi que tenho várias fragilidades nos campos espiritual, intelectual e psicológico. Venho diagnosticando cada uma delas e predefinindo os meios de as combater de maneira eficaz. Nisso muito me ajudaram a psicologia, textos e cursos do Olavo de Carvalho e a crescente convivência com católicos devotos, que estão me ajudando a me recolocar nos caminhos do Senhor depois de um período de aridez espiritual.

2) Isso se nota nas suas participações nas redes sociais e nos blogs que você possui…

R- Sim, é verdade. Estou cada vez mais longe de “tretas” (mas não do humor), militâncias políticas (só em casos realmente graves) e conversas frívolas. Nada disso me interessa mais. Aliás, essas coisas se me apresentam cada vez mais não só como fúteis mas sim perniciosas ao crescimento e desenvolvimento pessoais, algo a que uma pessoa bem ambicionada não deve se dedicar jamais.
Quanto aos blogs: agora tenho três, cada qual com algo como uma linha editorial. O Bios Theoretikos continua a ser o meu blog favorito, o “principal”, por assim dizer. Nele quero esmerar-me no trabalho intelectual que deve aperfeiçoar-se e tomar a forma de conferências, artigos e livros nos próximos tempos. Ele recebe o que considero os meus melhores textos e nele focarei escritos jurídicos, filosóficos e religiosos, além de resenhas literárias e cinematográficas. Isso tem predominado nos últimos tempos devido a esta minha decisão. O Casa de Autores é o irmão menor dele. Existe para coligir textos e fragmentos de autores que reputo de grande valor. Nele nada há de minha produção. O Medium, por sua vez, nasceu antes do Casa, mas sempre o vi como um misto de blog e rede social, daí ter ele certa “bastardia”. Servia antes apenas para divulgar textos do Bios, mas agora, além disso, vai abrigar crônicas minhas, publicadas semanalmente às quintas-feiras. Espero manter a periodicidade dele e ser bastante ativo nos demais. E sempre publicar conteúdo de altíssima qualidade.

3) E a vida intelectual? No que mudou?

R- Está cada vez mais organizada e focada no meu aprimoramento. Nisso devo agradecer não só as orientações do Olavo de Carvalho como também ao Rafael Falcón, que numa palestra proferida em Fortaleza mostrou de maneira brilhante que a alta cultura tem sim que transformar aquele que a busca numa pessoa melhor: mais corajosa, centrada, generosa, madura, forte, prudente, etc. Do contrário temos a mera erudição, infelizmente confundida por muitos como a encarnação própria da vida intelectual. Por mera erudição refiro-me ao conhecimento culto fechado em si mesmo, que não opera significativas transformações pessoais. É o caso daquele que é capaz de ler Aristóteles em grego antigo, Hegel em alemão, fazer um doutorado, mas incapaz de ser sincero seja consigo mesmo, seja com os demais. Incapaz de um ato de bravura, de nobreza, de generosidade. Fraco na compaixão, tíbio, de caráter aburguesado. Prometi a mim mesmo que usaria de todas as minhas forças para não ser assim, que me empenharia ao máximo para repelir esses venenos de minha alma e da minha mente e, aquilo que eu não pudesse fazer por minhas forças e nem pela ajuda de pessoas com os mesmos objetivos, eu pediria a Deus que me ajudasse a fazer. Estou realmente empenhado nisto.

4) Você mudou suas posições intelectuais?

R- Pouco, muito pouco, se a pergunta se refere a preferências literárias ou definições políticas. O que mudei foi o foco e a organização. Na verdade, eu estou basicamente instituindo uma organização na minha vida de estudos. Não os estudos de tipo escolar, direcionados para estudar tais matérias para ser aprovado num exame. Mas a de saber o que realmente quero e devo estudar. O mapa da ignorância recomendado por Olavo de Carvalho se me afigura como vital e indispensável nesse processo. Eu o estou fazendo para atender a esta necessidade, e pretendo segui-lo à risca, a menos que minha personalidade mude ao ponto de que aquele rumo não faça mais o menor sentido.
Também pretendo organizar melhor meus planos anuais de leituras, fazendo com que sejam mais sensatos, exequíveis e fortemente ligados às minhas necessidades intelectuais e profissionais.
Também estou mergulhando em cursos online e por conta própria, para aprender o que quero saber, mas não descarto os tradicionais cursos presenciais.

5) A que “mudanças psicológicas” você se refere?

R- Com a ajuda da Terapia Cognitivo-Comportamental identifiquei vários erros antigos que cometia com frequência e limitações que turbavam o meu desenvolvimento. Aprendi como vencê-las e em larga medida tenho obtido sucesso. Muito me tem ajudado também os ensinamentos de Olavo de Carvalho sobre a dificuldade dos brasileiros com a vida e a falta de centralidade da psique, além de sua interessantíssima teoria das doze camadas da personalidade.

6) E quanto ao lado espiritual?

R- Passei por um considerável período de certo distanciamento em relação à religião. Não abandonei tudo, continuei a fazer minhas orações diárias e mesmo alguma leitura espiritual. Mas nada com a intensidade e a paixão com que fazia antes. Segui os conselhos que meu diretor espiritual me deu há tempos, quando eu o via com mais frequência, de perseverar e ter paciência. Apesar dos pesares, fez a diferença necessária. O crescente envolvimento com a Associação Cultural São Thomas More tem me ajudado em resgatar e fortalecer a fé além de, é claro, a ação da misericórdia divina, pois sem ela nada é possível.

7) Quando deve terminar sua autorreforma? Como espera estar quando essa hora chegar?

R- Espero ser um homem mais maduro, senhor de si mesmo, de fé fortalecida, intelectualmente sério, capaz de suportar grandes adversidades, de servir ao próximo e com forte senso da realidade e da eficiência. Quando será isso? Não sei, nunca se sabe quando uma reforma vai acabar (risos). Por mim seria para amanhã, mas já aprendi que é imprescindível unir paciência e perseverança. Pode ainda levar alguns anos, mas irei até o fim.

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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