Único evento possível

I Fórum STM 142

Há momentos na vida que nos deixam marcas ímpares, que são verdadeiros momentos de clivagem que chamam o homem a tomar resoluções novas e graves face à sua postura no mundo.

Encerrou-se nesse domingo o I Fórum São Thomas More, com o tema “A Restauração da Cultura no Brasil”, organizado pelo Grupo de Estudo São Thomas More. Trata-se de um grupo de jovens católicos conservadores que se reúnem semanalmente na Universidade de Fortaleza para palestrar e debater temas políticos, religiosos, filosóficos e sociais sob o ponto de vista conservador e segundo a doutrina da Igreja Católica. O grupo – ao qual tenho a honra de pertencer – completou ontem mesmo o seu primeiro ano de fundação e já foi capaz de organizar um evento magnífico como aquele, bem como o de traçar planos ousados para um futuro próximo.

Se digo que o evento foi magnífico foi pela organização, frequência e pelo altíssimo nível das palestras. Não houve uma sequer que fosse mediana, todas foram imperdíveis. Mas também, como não o poderia ser, tendo como conferencistas Flávio Morgenstern, Rafael Falcón, Ícaro de Carvalho, José Carlos Sepúlveda, Alexandre Borges e meus amigos Patrick Bezerra e Francisco José Regadas? Como não seria magnífico um evento inspirado largamente no exemplo e no trabalho do filósofo Olavo de Carvalho? Como não dar graças a Deus pela oportunidade de participar de um evento assim?

Difícil falar da mais marcante, mas quero atentar aqui para as palestras proferidas pelo professor Rafael Falcón. Na palestra de domingo, de caráter mais intelectual, ele nos mostrou de maneira cristalina como a educação clássica é indispensável à formação da inteligência de uma pessoa, aprimorando também o caráter humano, e não apenas, como tantos creem, uma ocupação de eruditos amantes de coisas antigas.

Como não se impressionar com isso? Como não se alegrar em ver de maneira clara e inequívoca que Ovídio, Cícero, Platão ou Aristóteles podem nos ensinar muito mais do que julga a nossa vã filosofia?

Mais marcante ainda foi a palestra proferida no sábado, que contou com a coparticipação de Ícaro de Carvalho. Com um título aparentemente extravagante – “O Empreendedorismo e os Clássicos” -, Falcón mostrou que muitos dos temas que fascinam executivos e aspirantes a empresários – motivação, inteligência emocional, sucesso, etc. – e pelos quais eles pagam somas generosas em palestras e coaching são muito melhor tratadas na cultura clássica. Os eruditos de Roma e da Grécia antiga tem muito a dizer aos nossos pragmáticos empreendedores contemporâneos. Aristóteles é capaz de ensinar muito mais como lidar com pessoas do que muitos consultores de RH e Homero sabe motivar alguém melhor do que qualquer especialista em PNL o faria.

Mais do que isso: Falcón encerrou sua intervenção dizendo (depois procurarei por alguma transcrição integral) algo que, dentre outras coisas, dizia assim, sobre como é vital nos tornarmos integralmente pessoas melhores: “você tem que ser o homem que a sua mulher vai amar, admirar e querer imitar, e tem que ser o herói do seu filho…” .

Foi extremamente emocionante. Fiquei boquiaberto. Entendi que eu era, da fato, um bosta, e que meus 33 anos de vida não valiam quase nada. Entendi de maneira luminosa que uma vida feliz, realizada e plena era concretizar aquilo e que se eu não tiver o firme propósito de me emendar, todos os dias, no sentido de superar minhas fraquezas e limitações, por mais títulos que eu obtenha ou “bonzinho” eu seja, eu nada valerei e serei sim um fracasso ambulante com adornos para tentar de forma canhestra disfarçar a própria miséria. De que vale “combater o PT” ou elaborar teorias sociais mirabolantes se não se trata de ser superior a todo custo?

Conversando com os amigos que lá estavam, percebi que eles compartilhavam de uma visão similar à minha. Estamos mesmo decididos a dar rumos novos e mais nobres às nossas vidas. Agora é colocar a mão na massa, pois mudança verdadeira é mudança de atitude. E é disso que precisamos.

Fábio V. Barreto

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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