Da amizade

No começo do mês, Rafael Falcón publicou este artigo no Medium sobre como se dá a amizade em nosso país. Triste, mas ao mesmo tempo verdadeiro e dele podemos tirar certas lições.

Relata ele que não raro seus amigos eram pessoas “acima da média do país”, cultas e que, certamente, no futuro ocuparão importantes posições em nossa sociedade. Ao mesmo tempo, agiam de forma agressiva e não raro sorrateira e desleal. Para com seus inimigos’ Não! Para com aqueles a quem chamam de amigos, incluindo o próprio Falcón. Não perdiam uma oportunidade de humilhar o próximo e de pô-lo para baixo.

frases-de-amizade

Comparando o relato com minha vida e minhas observações, tendo, com certo desgosto, a concordar com o latinista. De fato, no Brasil, não se entende bem a amizade como “amar as mesmas coisas que amamos e rejeitar as mesmas coisas que rejeitamos”, ou a “philia” dos gregos, ou a disposição para o sacrifício mútuo, segundo éticas mais rigorosas. Por cá, “amizade” é ter alguém não ligado à nossa família com quem podemos conversar amenidades entre uma bebida e outra, um lanche cá e acolá, além de uma oportunidade para se conseguir algo, às vezes mesmo à custa de outro, mesmo que esse outro seja um “amigo”.

Quem não consegue ver que aí estamos tramados, tanto socialmente como pessoalmente e mesmo espiritualmente? Como se pode levar uma existência sadia se dentre aqueles que se dizem ser nossos amigos agem de forma pouco diferente das dos inimigos?

Da minha parte, vos digo: não aceito isso. Prefiro ter três amigos de valor, honestos, honrados, que me amem e me respeitem como se deve ser (e como eu mesmo os amo e respeito) do que trinta “colegas” que se dizem amigos mas não hesitariam em fazer minha caveira caso vissem nisso uma oportunidade de se sobressair, ainda que imaginariamente. E não consigo pensar numa conclusão melhor do que a do próprio Falcón, com a qual encerro este texto:

“Quem não nos ama, não pode ser nosso amigo. Quem não nos respeita, não pode ser que nos ame. Quem não nos trata com respeito, é que não nos respeita. Aceitar o convívio com pessoas que não atendem a esses requisitos, e pior, chamá-las de amigos, é um primeiro passo para enlouquecer. A solidão completa, se for a única alternativa, ainda é preferível para o restabelecimento da sanidade; pois quando estamos sozinhos podemos olhar para os que nos maltratam e declamar, aliviados, a verdade nua e crua: não são meus amigos.”

Fábio V. Barreto

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
Esse post foi publicado em Cotidiano e marcado . Guardar link permanente.

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