¡Adiós, Cervantes!

Quando estamos à distância de pessoas ou lugares queridos, acabamos por perder vínculos desejados e somos tomados por surpresas, ora boas, ora más.

Pesquisando nas livrarias que eu frequentava em Salamanca há uma década por um livro de Francisco Suárez, lembrei-me da clássica Livraria Cervantes, localizada no centro da cidade, onde comprei vários volumes de autores da Escola de Salamanca. “Decerto, encontra-lo-hei lá”, pensei.

Qual não foi a minha surpresa ao topar com essa notícia do início do ano, que comunica a todos que essa tradicional livraria ia fechar as portas “nos próximos meses”! Doeu-me o coração ler isso e logo vieram-me à mente as duas lojas da Cervantes que lá funcionavam, uma próxima à outra, sempre apinhada de gente e com incontáveis livros sobre vários assuntos.

Clássicos e contemporâneos, livros baratos e caros, religiosos e leigos, raros e best sellers, de tudo se poderia encontrar por lá. Lembro-me de uma parede recheada de volumes da BAC, que eu admirava mas nunca comprei nenhum volume, por serem muito caros. Lembro-me dos volumes da Obras Completas de Ortega y Gasset em capa dura cor laranja. Lembro-me das edições mais acessíveis das Ediciones Austral com várias obras literárias, históricas e filosóficas. Lembro-me dos muitos e muitos livros de César Vidal, Pío Moa, Luís Cebrián. Lembro-me dos volumes em línguas estrangeiras.

libreriacervantes

Tendo como denominação o nome do maior escritor espanhol (e, muito provavelmente, da língua espanhola), Miguel de Cervantes nunca estava ausente nesta livraria. Havia, na loja mais nova, uma seção toda dedicada a Cervantes e a seu Quijote. Edições infantis e eruditas, populares e de luxo, comentadas ou não, além de diversos estudos sobre a mesma e seu ilustre autor. Mais me chamou a atenção ao ver várias edições do livro em diversas línguas estrangeiras: inglês, francês, português, dinamarquês, russo e até japonês, acho eu. Realmente formidável.

Espero em, no máximo, dois anos poder revisitar Salamanca, depois de resolver assuntos mais urgentes. Sem dúvida que aproveitarei a cidade, que é sempre maravilhosa, mas o fim da Cervantes, definitivamente, fará muito falta a todos os amantes da cultura e do saber em Salamanca.

Fábio V. Barreto

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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