Ainda do plano de leituras

Recebi algumas perguntas sobre meu post a respeito do plano de leituras para o corrente ano. Confesso que, se a lista não tivesse terminado tão extensa (e, repito, quando estava a ser elaborada ela chegou a ser bem maior e contar com alguns “tijolões”), eu não esperaria que ela tivesse muita repercussão.

O que mais comentaram foi, como já disse,a enorme extensão da lista. E aqui, só vejo como resposta me repetir no que disse já no início daquele texto: “Bem sei que não conseguirei ler todas estas obras e por essa razão digo que os livros cá citados são antes candidatos à leitura do que propriamente livros que serão lidos impreterivelmente”. Se eu conseguir ler ao menos 50 livros “eleitos” desta lista, já poderei me considerar bem-sucedido.

Outro questionamento, de certo modo filho do anterior e que até me chamou mais a atenção, dizia respeito sobre como seria possível dar conta desse plano de leituras tendo uma vida profissional. Aparentemente, só um pesquisador, acadêmico ou rentista poderia tocar tal plano adiante.

Pois bem: confesso não ter para já uma resposta pronta, especialmente uma que diga que qualquer um pode fazer isso. No entanto, sei de certas práticas que podem muito ajudar quem trabalha diariamente um expediente inteiro ou enfrenta uma pesada carga de estudos formais (vestibulandos, concurseiros, doutorandos finalistas, etc.) a seguir um plano de leituras assemelhado ao meu:

1) É preciso administrar o tempo de forma draconiana e constante. Quase sempre nos perdemos em distrações que não colaboram em nada nem com o nosso trabalho, nem com o estudo, nem com nossa vida intelectual, nem mesmo com nosso descanso. São distrações no sentido exato do termo. De início essa vigilância (que também pode ser chamada de disciplina) cansa mas, com o tempo e os bons resultados, nos acostumamos a ela e já não queremos voltar ao estado anterior;
2) Pode-se começar de muitas formas, entre elas a de eliminar atividades mais vulgares e de menor proveito. Eu, por exemplo, há alguns anos deixei de ver telenovelas e assisto TV basicamente para telejornais, filmes e, vez por outra, algum documentário. Mesmo assim, busco controlar o tempo nesses meios;
3) Na internet o controle deve ser ainda maior. Ao ligar o computador costumo já ter programado tudo o que devo acessar e procuro seguir o plano. Redes sociais são uma delícia, mas também sérias ferramentas de distração em massa. Devem ser usadas com muito cuidado. Uma vez por semana faço questão de não acessar redes sociais, sejam quais forem, aconteça o que acontecer.
4) Faça como que uma sequência dos livros que vai ler. Eu já separei os cinco primeiros. Comecei com obras relativamente fáceis e rápidas de se ler. Acho importante estabelecer um prazo aproximado de quanto tempo se espera levar para ler cada livro. Dois dias? Três? Uma semana? Tudo depende do livro e de sua vida;
5) Pessoalmente, não gosto de ler o mesmo gênero vezes seguidas, é bom variá-los para desenvolvermos habilidades mais variadas. Leio, por exemplo, um romance, depois um livro de poesia, depois filosofia, a seguir direito, depois poesia de novo, depois história…
6) Praticamente não deixo de ler por um dia sequer, exceto em pausas programadas ou na impossibilidade absoluta em virtude de compromissos. As pausas são importantes tanto para o descanso cerebral como também para a reflexão acerca do que se lê. No entanto, fora disso, leio sempre que possível: na fila do banco, em casa, numa livraria, etc;
7) Por paradoxal que possa parecer, exercícios físicos ajudam na vida intelectual, pois diminuem a mortalidade neuronal e aliviam o stress. Não seja sedentário;
8) Estipule seu plano de leituras com base nos seus interesses reais e sua vida estudantil/profissional. Se você é um operador do direito, precisa de uma boa lista de livros jurídicos para ler. Se psicólogo, livros de psicologia, e por aí vai. Não faz o menor sentido você ser, por exemplo, um sociólogo ou estudante de ciências sociais e planejar uma extensa lista de livros de medicina para ler por simples desejo de “erudição eclética”. Eu, por exemplo, sou do direito e não posso deixar de focar a área jurídica. Tenho sérias pretensões na filosofia, na teologia e na literatura também, razão pela qual me foco muito nessas áreas (considero, aliás,a literatura como que a base da educação em geral). A história e a política tem também certa importância, especialmente por minhas aspirações profissionais. Já a economia e as ciências naturais de um modo geral tem, para mim, pouco peso, razão pela qual contam poucos títulos. O tempo é escasso e precisa-se ser muito racional e seletivo.
9) Seja perseverante em seus objetivos. O cansaço e as distrações sempre atacarão, mas só obtém sucesso quem peleja;
10) Procure fazer o seu melhor mas não espere perfeição, pois sempre se pode fazer melhor.

Fábio V. Barreto

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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