Cosac Naify, R.I.P.

Li na internet, no começo desta semana, que a famosa editora Cosac Naify vai fechar as portas. Depois de duas décadas em atividade, a casa editorial de Charles Cosac cessará de existir.

Lembro-me de quando comecei a ouvir falar nela, há mais de uma década, quando saí da vida escolar e minha vida intelectual dava uma guinada mais adulta: blogueiros dos Wunderblogs (lembram-se deles?) e outros voltados à cultura falavam do catálogo da editora, de como ele era de alto nível e como a arte de suas edições eram aprimoradas. E, de fato, o primor que muitas vezes transformava-se em luxo era a marca registrada dela. Não só ela lançava boas obras de arte e literatura como o fazia em volumes com papel especial, capas elegantes, design fino, encadernações tão belas que faziam dos livros também obras de arte visuais e não apenas literárias.

Aparentemente, porém, esse diferencial contribuiu para o fim da editora. Com edições tão esmeradas, seus livros costumeiramente são caros e voltados para um nicho mais cult (como se vê, por exemplo, nos projetos de lançamentos de obras de autores bem pouco comerciais) afastam certa parcela do público leitor brasileiro. Verdade que isto está na concepção que Charles Cosac sempre quis que presidisse sua editora, e que ele preferiu acabar com ela a vê-la convertida numa editora mais comercial ou mesmo popular, mas a conjugação entre altos custos, grave crise econômica nacional e um público de “consumidores” (digam o que quiser, mas odeio usar esse termo para leitores de livros) insuficiente para sustentar a empresa selou o fim desta.

Reconheço o alto nível do catálogo da editora, mas eu mesmo não possuo nenhum livro dela. Sempre os achei caros, e por ter morado fora do país por muito tempo não mais dei atenção à mesma até muito recentemente. Já vi títulos ótimos por ela lançados e penso em adquirir alguns livros, como a edição dele de Outono da Idade Média, do historiador holandês Jan Huizinga (dizem que essa tradução é muito superior à portuguesa, que adquiri em Coimbra), o livro de contos O Exército de Cavalaria, do russo Isaac Babel, a edição deles da Odisseia, dentre outros. Não deixa de ser uma homenagem a uma casa que marcou nosso meio editorial, que vem junto com votos para que outras editoras pouco comerciais mas com catálogo de alto nível não desapareçam.

Babel

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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