Ilusões Perdidas

Tenho uma vida como a de qualquer outra pessoa: estudo, busco trabalho, tenho compromissos familiares, aspirações, tristezas, alegrias, etc. Busco melhorar a mim mesmo continuamente, pois não concebo que se possa viver dignamente de outra forma. E para este autoaperfeiçoamento cada vez mais vejo o quanto é importante pôr em prática o que ouvi certa vez um filósofo dizer: é preciso perder as ilusões quanto a esta vida.

A sentença soa deveras estranha, bastante pessimista e até mesmo amarga. Mas não o é. É sim uma necessidade inescapável se queremos ter uma vida boa, produtiva e feliz.

O que significa “preciso perder as ilusões quanto a esta vida”? A expressão é bastante complexa e esmiuçá-la em detalhes não é o objetivo deste texto. Por ora, atenho-me a certas ilusões que povoam nossas vidas e que são como que senso comum. Dentre estas contam-se pensamentos tais como: “estamos sempre evoluindo”, “no fim tudo dá certo”, “o sucesso está garantido”, dentre tantas outras de teor idêntico ou semelhante, que serão analisadas posteriormente.

Desde logo, que história é essa de que “estamos sempre evoluindo”? Primeiro, evolução não significa, ao menos originalmente, progresso mas sim apenas mutação adaptativa para viver em uma nova circunstância. Não há aí nenhuma valoração objetiva entre “melhor” ou “pior”, apenas “apto” ou “inapto” à nova situação. Em segundo lugar, tomando evolução como progresso, quem disse que estamos sempre melhorando? Por acaso não existem retrocessos ou degenerações? Examinando com clareza, percebe-se que nem sempre o hoje é melhor do que o ontem, seja nas esferas social, cultural ou pessoal.

Ilusão crassa e que a tantos engana é essa segundo a qual “no fim tudo dá certo”! É um determinismo emocionalista que se sustenta principalmente por ser lisonjeiro a quem se defronta com dificuldades. No mundo real, nada garante nenhum final feliz. O casamento pode fracassar, o negócio pode quebrar, aquele curso tão desejado pode ficar por fazer, etc. Não temos essa garantia tão desejada e erroneamente crida. Podemos, porém, perseverar na realização de nossos objetivos e buscar caminhos alternativos ao que queríamos inicialmente. Aliás, isso é algo que devemos fazer.

Ficou claro que não existe essa de “sucesso garantido”? Que a vida é uma luta constante contra as nossas próprias fraquezas e limitações de nosso maio com o fito de realizarmos nossos projetos e desejos? É assim, e só assim, que podemos realmente ter a vida que queremos ter. Em frente!

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
Esse post foi publicado em Cotidiano, Crônicas, Filosofia, Psicologia e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Ilusões Perdidas

  1. Vanessa B. Maya de Omena disse:

    Na questão da expressão “estamos sempre evoluindo” citada dentro do contexto de seu ótimo texto, acrescento, dentro de minha singela visão, e experiência pessoal, que essa é uma grande verdade, desde, claro, que o ser se conscientize sobre a necessidade de desconstruir o seu ego, não exatamente para deixa de ser quem é, mas para ser exatamente o que se busca ser; caso contrário, ficará no nível das adaptações ao meio em que ora de encontra, como o exposto acima.

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