Movie Review: “A Felicidade Não Se Compra”, de Frank Capra

afelicidadenaosecompra

Em 1946, o diretor Frank Capra lançou “It’s a Wonderfull Life”, filme que no Brasil tem por título “A Felicidade não se Compra”. A obra tornou-se nos EUA um clássico natalino, mas vale muito ser vista em qualquer época do ano.

O filme se passa em Bedford Falls e conta a história de George Bailey, um homem que sempre foi bastante prestativo e generoso para com os demais mas que, às vésperas do Natal, encontra-se depressivo e com intenções suicidas, em razão das armações do sr. Henry Potter, um homem de negócios invejoso que deseja destruí-lo. Seus familiares e amigos começam a orar por ele e suas preces são ouvidas: um anjo é designado para protegê-lo.

Não se trata de uma missão tão fácil. O anjo procura lembra-lo de como ele é importante para as demais pessoas mas Bailey, transtornado pelas dívidas e ameaças de prisão, teimosamente resiste. Assim, o anjo tenta algo forte e inusitado: faz com que Bailey viva numa realidade na qual ele nunca nasceu. O anjo pretende que, assim, Bailey julgue se realmente nunca ter vivido para não passar por aquelas dificuldades realmente valeria a pena.
Eis então que o protagonista confronta-se com esta realidade alternativa: nela seus amigos não são seus amigos, são filhos tampouco existem, as pessoas que ajudou vivem pior por não terem mais aquele que lhes estendeu a mão, seu irmão não é mais um campeão de natação, pois morreu aos nove anos de idade, já que Bailey não estava mais lá para salvá-lo de se afogar. Sua esposa também não é mais sua esposa, mas está casada com outro homem. Muitos males não deixam de se abater àquelas pessoas que ele ama, mas George se vê impotente para fazer qualquer coisa já que alguém “inexistente” (ele vive lá como uma pessoa comum, e não como o George Bailey que sempre foi) como não pode fazer nada.

Pressionado por uma angústia insuportável, George corre desesperado à mesma ponte na qual pensava dar cabo de sua vida e, aos gritos implora. “Eu quero viver! Eu quero viver!”. Subitamente um policial que o vinha perseguindo o alcança e pergunta se ele está bem. A felicidade de Bailey ao ser reconhecido é tão grande que ele pergunta, com imensa alegria, se seria preso. Não iria e volta correndo pela neve, aos pulos, feliz da vida para junto dos seus. É com muita alegria que reencontra sua vida com seus familiares, amigos e conhecidos. Quando o prazo para o pagamento de sua dívida se esgota e ele está a ponto de ser levado pelas autoridades, é-nos revelado que, quando a notícia de suas dificuldades correu as ruas, as inúmeras pessoas que ele ajudou ao longo da vida cotizaram-se e juntaram o dinheiro necessário para a quitação do débito. Uma felicíssima noite de natal tem sequência, encerrando o filme.
A grande beleza desta obra é a sua mensagem, simples porém muitíssimo verdadeira: nossas vidas tem um valor inestimável mesmo que não o saibamos e frequentemente nos esquecemos disto em meio às nossas dificuldades cotidianas. Mesmo que levemos uma vida simples, uma existência distante dos holofotes ou grandes celebrações, nossas vidas tem importância e influência no mundo exterior, nas vidas das demais pessoas. Se eu ou o leitor jamais tivéssemos nascido, a vida de nossos pais, parentes e amigos seria a mesma? Teríamos as experiências – boas e más – que tivemos? Teríamos os filhos que temos?

Toda vida tem seus bons e maus momentos. Estes últimos não são motivos para que nos desesperemos de nossa sorte e assim alimentemos pensamentos negativistas, ainda mais do tipo tão grave quanto o do suicidio. Mas quantas vezes nos sucede justamente o contrário! Quantas vezes achamos que é melhor “sair de cena” a suportar as agruras do cotidiano? Quantas vezes nos esquecemos de que neste mundo estamos entrelaçados a várias outras pessoas e o que se passa em nossa existência reflete-se nas de outros? Mais importante ainda: quantas vezes, à hora da tribulação, nos esquecemos de que nossas vidas são governadas pela Providência Divina, que nenhum mal acontece sem que seja permitido pelo Senhor e que devemos ter uma fé inabalável nessa Providência?

São reflexões importantes que o filme suscitou em mim, e espero que suscite também no leitor que se interesse por este clássico do cinema.

Anúncios

Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
Esse post foi publicado em Cinema e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s