Meditação de Páscoa

cristonacruz

Vivemos tempos difíceis. Já em finais do ano passado a economia brasileira mostrava sinais de cansaço que vieram a rubro logo ao iniciar-se este ano: inflação, população endividada, crédito escasso, empresas em dificuldades, contas públicas descontroladas. Na política a crise é inegável, com um governo acossado por escândalos de corrupção cada vez mais escabrosos e disputas internas. Com menos de noventa dias, o novo governo viu seu apoio popular evaporar-se e muitos já falam abertamente em substituí-lo, por meios jurídicos ou não.
Tudo isso tem exercido uma pressão imensa sobre a sociedade brasileira. Cada vez mais vemos gente insatisfeita com a vida, com perspectivas sombrias em relação ao futuro, com planos adiados e fazendo contas constantemente, para que o salário chegue ao fim do mês.
Épocas assim agravam a tendência do homem moderno em imanentizar a própria vida, concentrando todos os seus esforços, esperanças, medos e crenças no aqui e agora, relegando a transcendência a um plano secundário, por vezes lúdico até. Mais do que nunca, o homem moderno, instruído e pragmático leva uma existência imediatista, focada no Hoje e bastante secularizada, esquecida do substrato metafísico e transcendente de si mesma.
Tal atitude, entretanto, entra em conflito com a natureza humana. O homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus. À medida que o secularismo da modernidade turba a relação entre Deus e o homem, este busca refúgio dos mais variados: culto ao dinheiro, hedonismo, ideologias revolucionárias, espiritualidades alternativas que prometem em vão preencher o vazio deixado pelo esquecimento da autêntica vida espiritual, etc.
E pensar que tantos desses males e sofrimentos seriam evitados se as pessoas se recordassem mais e se voltassem mais para Aquele cuja Paixão, Morte e Ressurreição recordamos nesses dias! Cristo na cruz é o ponto nevrálgico da História. Deus veio ao mundo, se fez carne, habitou entre nós, experimentou em tudo a condição humana (exceto no pecado) e, mais inocente do que qualquer um, lavou os pecados de toda a Humanidade com seu preciosíssimo sangue. Recusou liderar levantes sangrentos para salvar o povo de Israel porque queria, com o derramamento de seu próprio sangue e o de mais ninguém, salvar todos os homens. Quando parecia derrotado, fracassado, mostrou-se o mais forte e vitorioso de todos. Desceu à mansão dos mortos a fim de levar de lá as almas justas que haviam morrido antes de seu advento e abriu os Céus, não só a eles mas como aos demais homens. E iniciou seu Reino, que não terá fim.
Diante disso, que são todas as nossas aflições cotidianas?
Pensemos nisso ao encararmos a ideia de transformação que esse período evoca a todos nós

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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