Autoentrevista 3

1) Falemos hoje sobre a literatura. Parece que ela tem muita importância para você. É verdade? Como começou?

Sim, é enorme. Eu diria que todo mundo que se interessa por cultura adentra neste mundo pela literatura, ainda que seja pela literatura infanto-juvenil que lê na infância. Desde pequeno que me interesso por ficção e, à medida em que crescia, meu gosto literário foi avançando também, com a descoberta dos clássicos.

Essa descoberta deve ter-se iniciado por volta dos 14 ou 15 anos. Claro, de forma muito errática, já que eu lia de forma meio livre um clássico, literatura contemporânea e infanto-juvenis. Mas a partir da 8ª série isso foi mudando e, no ano seguinte, a minha relação com a literatura chegou a um ponto decisivo. Foi quando passei a estudar literatura na escola, e o foco era o desenvolvimento histórico da mesma, do romantismo até a atualidade. É claro que não estudávamos todas as correntes e autores, mas sim a literatura luso-brasileira. O esquema era basicamente o seguinte: apresentava-se uma escola, com seu contexto histórico e suas características gerais, depois estudávamos como a mesma escola se desenvolveu em Portugal e depois fazíamos o mesmo em relação ao Brasil. Em seguida, estudávamos a escola literária seguinte.

Aquilo foi uma lufada de ar fresco para quem tanto queria saber de literatura como eu, era uma maravilha. Foi aí que comecei a conhecer a bela literatura portuguesa (pela qual me tornei muito interessado no ano anterior, quando li Fernando Pessoa) e vi que havia muita vida inteligente em português, sim. Conheci Almeida Garret, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Antero de Quental, Camilo Pessanha, Eugénio de Castro, António Nobre, bem como os brasileiros José de Alencar, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Olavo Bilac, Cruz e Sousa, dentre muitos outros.

2) Ainda hoje você admira esses autores? Vale a pena se dedicar à literatura luso-brasileira?

A maioria, sim. Não concebo como a formação literária de um brasileiro possa se dar sem um bom conhecimento das literaturas brasileira e portuguesa. Em Portugal, para o bem e para o mal, estão as nossas origens, nossas formas vem quase todas de lá. É uma insanidade ignorar tudo isso. E Portugal tem ótimos escritores. Quanto ao Brasil, é o nosso país, e não podemos, por uma razão semelhante, quebrar a linha hitórica das nossas letras. Mesmo o vanguardista mais rebelde e “questionador” deve saber que está ínsito neste nosso contexto histórico-cultural, e não no contexto francês,alemão, americano, indiano ou “supra-local”, como que estivesse num posto privilegiado acima das contingências.

3) E fora desse “eixo cultural”, quais autores você admira e recomenda?

Charles Baudelaire, Shakespeare, Goethe, Dostoiévski, Antonio Machado, Albert Camus e George Orwell, para citar alguns poucos.

4) Agora farei uma pergunta um pouco inusitada: diga alguns autores os quais você não aprecia.

De fato, é inusitada. Raramente insisto com um autor ruim, prefiro largar a leitura em busca de outra mais proveitosa, mas, forçando um pouco a memória, eu poderia listar Antônio José de Almeida, Caio Fernando Abreu, Qorpo Santo, Tomaz de Fiqueredo, Joaquim Manuel de Macedo e os concretistas.

5) Há quem diga que a literatura morreu ou não passa de mero entretenimento culto. É verdade? Qual o benefício da literatura?

Já ouvi coisas assim: “o jornalismo matou a literatura”, “não existe mais poesia”, etc. Bem, morreu? Quando? Onde? Como? Até onde sei continua-se a publicar literatura de ficção no mundo todo, os clássicos continuam a ser lidos, relidos e debatidos, congressos, seminários são realizados… isso é a tal “morte da literatura”?

Entretenimento erudito? Sim e não. Não há dúvida que ler Balzac ou contos tradicionais chineses é um lazer erudito, totalmente distindo do de ver programas de auditório na TV ou de jogar gamão num bar. Mas quem lê bons autores como os que citei não está apenas em busca de entretenimento, mas sim de ampliar sua cultura, seu imaginário, de conhecer outras possiblidades humanas, de aprimorar seu vocabulário, etc. E isso é algo que o “Esquenta” ou jogos eletrônicos não podem jamais fazer por nós. A literatura é também uma oportunidade civilizadora, que nos aproxima das coisas humanas e amplia as nossas possibilidades de expressão.

6) O que tem a dizer sobre a literatura brasileira contemporânea? Tem valor ou não?

Confesso que não me lembro da última vez que li algo da literatura nacional de hoje, até pretendo colmatar essa lacuna no ano que vem, por isso não posso dizer, honestamente, se vai bem ou mal. Atualmente releio “Crime e Castigo” do meu querido Dostoiévski. Na fila de 12 livros para ler que eu separei, as outras obras literárias são “Histórias sem Data”, de Machado de Assis e “Cantar de Mio Cid”. Não é para já que isso se vai resolver.

7) Há espaço para uma boa literatura ser produzida no Brasil?

Claro que sim, por que não haveria? Tem muita gente inteligente e interessada em culruta de alto nível nesse país e várias tem inclinações para a literatura. Infelizmente elas estão dispersas por nosso enorme território, o que dificulta o contato e a parte social da vida intelectual, mas são estudiosas e levam a coisa à sério. Basta ver algumas revistas e sites culturais que tem surgido nos últimos anos. É preciso absorver o legado literário dos diversos povos e trabalhar no sentido de criar algo novo, cada vez melhor.

8) Você pretende publicar obras literárias? Em qual gênero?

Sim, já me preparo para isso. Pretendo dedicar-me aos meus três gêneros favoritos: a poesia, o romance e o conto. Escrevo poemas desde a adolescência e pretendo publicar vários deles, após uma rigorosa revisão. Também já planejo contos e romances, que virão nos próximos anos.

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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