Eu e a Filosofia

CURSO_DE_FILOSOFIA_1297789757PMeu contacto com a Filosofia deu-se já na escola, através do estudo da História. Como já se disse, a História é das ciências humanas aquela que talvez tenhamos o primeiro e o mais intenso contacto. Isto é óbvio no que se refere a um estudante dos Ensinos Fundamental e Médio, já que a Geografia, além de dividir-se entre um lado humano e outro natural, é bem menos valorizada nos currículos escolares. Só o estudo do Português pode-se comparar-lhe, talvez, embora eu tenha lá minhas restrições a isto. As disciplinas de Filosofia e Sociologia só recentemente voltaram à grade escolar e ainda assim a partir de um turma mais avançada. Sou duma época anterior.

Pois bem. Reparei que quando estudávamos um determinado tema histórico (Grécia Antiga, Idade Média, Iluminismo, etc.) era muito comum reportar-se à cultura do povo ou da época estudada, e isso quase sempre incluia um pouco, uma noção bastante básica (ou mesmo rasteira) da filosofia respectiva. Nos casos do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa tal era verdadeiramente incontornável : se não se sabia a filosofia, nada se entendia da matéria em estudo. Percebi com isso que a filosofia era como que uma disciplina ou “saber” básico, que atuava no fundo das coisas, frequentemente dando suporte a algo e atacando as bases de outro algo.

Claro que havia em mim, na adolescência, um pouco daquela visão popular da filosofia como sinônimo de “sabedoria difusa”, às vezes meio avoada até, nem sempre ligada aos assuntos mais imediatos da vida. Mas logo vi que valia a pena estudá-la melhor. Assim, tendo em vista a ordem das coisas e o meu respeito pelos ( e consciência da grande importância dos) clássicos, comecei, salvo engano, por Platão. Interessei-me por sua vida e seu Banquete. A princípio, não entendi muito o que lia, mas considerei que isso se devia mais à minha própria inexperiência e imaturidade do que a alguma deficiência do criador da Academia. Mas na época, por desorganização minha ou falta de orientação, não fiz um estudo mais sério e sistemático da filosofia, lendo algo ocasionalmente e nem sempre de muita profundidade. Focava-me mais na história da filosofia e na filosofia política.

As coisas começaram a mudar por volta de 2000/2001. Foi quando conheci o trabalho do filósofo Olavo de Carvalho e comecei a ler mais e em busca de uma visão mais abrangente e organizada da filosofia. Como obra introdutória, encontrei o excelente Curso de Filosofia de Régis Jolivet na biblioteca do meu colégio. Foi um assombro. Foi como se um clarão tivesse se aberto em minha mente e, a partir de então, eu entendesse melhor o que eu estudava e do que os filósofos tratavam, além da importância da filosofia. O livro é tão bom que procurei comprá-lo por muito tempo (a edição que li era dos anos 60) até finalmente encontrar um novinho numa livraria (agora fechada, infelizmente) cá perto de casa. Vez por outra o consulto em busca de solução para as minhas dúvidas.

Por essa época li Sócrates e desde então me tornei um admirador entusiasmado daquele que é por muitos considerado o pai da filosofia ocidental. Li também Platão (ótimo), Aristóteles(idem, principalmente sua Ética), Hobbes (interessado por política como sempre fui, não podia deixar de ser), Kierkegaard (muito interessante), William James (pouco me lembro dele. Preciso revê-lo), Nietzsche (me impressionou por dias, depois não mais), Schopenhauer (interessante), entre outros os quais não me lembro agora. Tentei ler Fichte, mas fiquei zonzo já nas primeiras páginas de seu livro sobre a ciência e o larguei. Ainda não voltei a ele, mas o farei sem falta. Muito mais teria lido e estudado, se não fossem meus outros afazeres, principalmente o vestibular.

Cheguei mesmo a prestar o vestibular para Filosofia na universidade estadual e Direito na Federal e na principal universidade privada daqui. Tendo sido reprovado apenas na Federal, acabei por optar pelo Direito, tanto por achar que assim seria mais fácil a colocação profissional que almejava, como também por um pouco de pressão familiar. Às vezes me pergunto se fiz a escolha certa, mas tenho certeza de que o Direito veio para a minha vida para ficar e eu quero que assim seja.

Na faculdade, tentei conciliar o Direito com meus estudos filosóficos. Isso foi relativamente fácil no primeiro ano, já qua a maioria das cadeiras convergiam parar temas filosóficos. Já no terceiro semestre as coisas mudaram e meus estudos filosóficos tiveram de ser limitados por minhas obrigações. A situação não mudou muito quando me transferi para o exterior: uma universidade europeia de primeira linha exige muita dedicação de seus alunos, e não é possível terminar um curso dedicando-se o espírito a diversas coisas.

Hoje meus interesses em filosofia estão maioritariamente na História da Filosofia, na Ética, Antropologia Filosófica, Filosofia da Consciência, Metafísica, Retórica e Dialética, Teodicéia, Filosofia da História, Filosofia do Direito e Filosofia Política. Há muito a estudar e uma vida é pouco para tanto.

Ainda pretendo fazer um curso de filosofia formalizado (graduação, mestrado ou doutorado, no Brasil ou no exterior), mas isso ficará para daqui a uns anos. Até lá, meu estudo será mais independente.

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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