Meditação de Páscoa 2013

Alguns dos temas que me vem chamando a atenção nos últimos dias, em virtude de acontecimentos pessoais, reflexões e conversações virtuais, são os do sacrifício e o da necessidade de vida espiritual. Vejamos do que se trata.

Tenho como claro, líquido e certo que viver significa lutar. É uma luta constante contra várias adversidades de ordem intelectual, profissional, pessoal, afetiva, econômica, espiritual, dentre tantas. Muito acertadamente Jó disse que a vida do homem na Terra é milícia, no que foi corroborado por vários santos e teólogos. Lutamos para ordenar nossa atenção, para conseguir trabalho, para aprender o que estudamos, para podermos nos dedicar aos afazeres de nossa vida social, para crescer espiritualmente apesar das nossas deficiências. Muitas vezes as adversidades vem de onde nem sequer se espera, mas elas estão aí, impondo-se e obstaculizando-se entre nós e os resultados almejados. Não se cresce materialmente ou espiritualmente sem muito combate, sem muita peleja, nos quais adquirem-se várias cicatrizes, perdem-se coisas – importantes ou não – mas também ganham-se outras,  também importantes ou não. Mesmo numa época hedonista como a nossa, não se pode mascarar esse aspecto fundamental da realidade.

No que concerne a vida espiritual, por exemplo, pensemos na preguiça que muitas vezes nos assalta à hora da oração ou, mais importante ainda, à hora de comparecer e participar da Santa Missa. Temos nestes dois exemplos a ocasião de elevar nosso pensamento a Deus, um meio absolutamente indispensável (São Josemaría Escrivá dizia que sem oração não há santidade e que ela é muito mais importante do que a ação) para a nossa santificação e a de participar, de facto, do Divino Sacrifício, de estar indubitavelmente em presença de Nosso Senhor Jesus Cristo mas, ainda assim, falhamos. Pensemos também no que é, ao que tudo indica, um dos sacramentos mais evitados, o do Perdão e Reconciliação, mais conhecido como Confissão dos Pecados: Cristo, ciente de que somos fracos e pecadores, deixou a seus apóstolos e sucessores o poder de ouvir e perdoar os pecados, para limpar-nos e purificar-nos de nossos pecados e desse modo santificar-nos. Quantas vezes não fugimos amedrontados dele e do tão necessário exame de consciência! Ele existe para nosso bem e não para nos castigar, mesmo assim, temos medo dele, como se o sacerdote fosse ali um juiz impiedoso que só ouve nossos pecados para inflingir-nos castigos cruéis.

A importância da vida espiritual ficou mais clara para mim numa conversa que venho tendo nesses dias em uma lista de discussões da qual participo há anos, quando falávamos de conhecidos nossos, outrora tão católicos e hoje ateus. No decorrer da conversa ficou claro para nós que o problema deles não era exatamente falta de doutrina e apologética (são indivíduos bastante cultos, aliás, e que já fizeram apologética católica noutros tempos), mas sim falta de autêntica vida espiritual, de vida interior, de “vita vestra  est abscondita cum Christo in Deo”. Não demoramos a entender que, sem isso, de nada adianta muita teologia, muita apologética e muita retória. A vida espiritual é como que o pilar. Se ele é fraco, de nada adianta a construção ser belíssima: o fracasso virá.

Agora, quando estamos para entrar no Tríduo Pascal, celebrando o sacrifício de Cristo meditemos um pouco sobre Aquele que se sacrificou por todos nós para que tenhamos a salvação eterna, que não se faz sem imensa vida espiritual, que não existe sem Ele.

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Sobre Fábio V. Barreto

Católico, aprendiz de escritor, ávido por conhecimento, e outras coisas mais.
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